Após protesto, Temer decide deixar São Paulo e ir para Brasília

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Após protesto realizado na manhã desta quinta-feira (21), o presidente em exercício, Michel Temer (PMDB), vai deixar sua casa na Zona Oeste de São Paulo rumo a Brasília.

Segundo a assessoria do vice-presidente, a decisão foi por questões de segurança. A presidente Dilma Rousseff viajou para os Estados Unidos onde participa de cerimônia da ONU, em Nova York.

Temer deve ir para Brasília no final da tarde desta quinta-feira.

Por volta das 7h30, cerca de 60 pessoas, em sua maioria jovens, estenderam faixas com a frase “Temer golpista” em frente à casa do vice-presidente. Para os manifestantes, a presidente Dilma não cometeu crime de responsabilidade e, portanto, não poderia sofrer o impeachment. O grupo também alega que o fato de o PMDB ter saído do governo Dilma, mas o vice ter permanecido no cargo, configura “golpe”. Cerca de 20 seguranças permaneceram em frente ao muro da casa. A PM também foi acionada.

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O ato, organizado pelo Levante Popular da Juventude, faz parte da ação #escracheumgolpista: “Dia 21 de abril, dia do assassinado do líder da Inconfidência Mineira, TIRADENTES, que foi traído por um de seus aliados na luta Joaquim Silvério. Para marcar esse dia 21 deste ano, pedimos que vocês façam escrachos em todo o Brasil aos traidores atuais! Aos atuais: Joaquim Silvero. Traidores do povo! Traidores da Democracia. Aos 367 deputados que votaram a favor do golpe, a favor do impeachment”, diz página do grupo no Facebook.

A estudante de Direito Larissa Sampaio, de 27 anos ,uma das líderes do Levante Popular da Juventude, disse que o grupo vai fazer atos do dia 21 ao 27.

“Na nossa leitura do levante há um golpe em curso e o vice presidente Michel Temer é um dos principais articuladores desse golpe hoje. A gente resolveu vir no dia 21, dia do assassinato de Tiradentes, que foi traído por um dos seus principais aliados políticos pra dizer que o Temer é um golpista, mas também é traidor do governo. Ou seja, ele é vice presidente e um dos principais articuladores do governo que ele mesmo compõe”, afirmou.

“Viemos denunciar, dizer que aqui [casa do Temer] é o QG do Golpe. Mesmo sem o impeachment sendo de fato efetivado ele tem articulado planos de governo, vem propondo novos ministérios, dizendo o que vai fazer. Então ele está atuando como de fato fosse o presidente e na nossa leitura se isso não for golpe a gente precisa rever a nossa história política, a história da América Latina e de todo o mundo”, disse.

Manifestantes também gritaram “vaza carta, vaza áudio, vaza Temer do Planalto” em referência à carta de Temer para Dilma e um áudio com suposto discurso do vice-presidente no caso de assumir a presidência. Eles rasgaram papéis que representam a Constituição.

Ao final da manifestação, policiais militares colocaram grades nos dois lados da rua para isolar a casa de Temer. Moreira Franco, ex-ministro da Aviação Civil, chegou à casa por volta das 10h.

Desde segunda-feira (18), um dia depois de a Câmara dos Deputados decidir pelo impeachment da presidente, o vice-presidente recebe políticos em sua casa ou escritório em São Paulo. Apesar de negar que esteja compondo seu ministério em seu possível futuro governo, o presidente interino do PMDB, Romero Jucá, indicou nesta quarta-feira (20) que as reuniões abordam a composição.

“O governo Temer deverá ter o ministério no momento em que ele assumir. Ao assumir ele vai precisar nomear uma equipe que vai assumir com ele. O presidente Temer tem coletado informações, opiniões, visões diferentes, mesmo na área econômica”, disse Jucá.

“Ele tem conversado com diversos setores para consolidar um posicionamento inicial. Claro, na hora que ele assumir estará preparado para dar posse ao ministério que vai atuar sob seu comando. É uma espera silenciosa em sua manifestação, não é uma espera paralisante. O presidente Temer não estará paralisado. Ele está atuando com a bagagem que tem, com a experiência que tem, com a condição de jurista que tem e sabe de seus limites. Portanto, ele vai pensar, conversar, ouvir, raciocinar e só vai anunciar quando juridicamente puder fazer isso, ou seja, quando o Senado se posicionar”, afirmou o senador.

Na manhã de quarta-feira,  Eliseu Padilha e Moreira Franco, ex-ministros da Aviação Civil, Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional, e o senador Romero Jucá (PMDB), se encontraram com Temer. Em casa, após o almoço, Temer recebeu a visita do ex-ministro Delfim Netto. Mais tarde, no escritório, o vice-presidente recebeu a visita do deputado federal Beto Mansur(PRB).