A todo vapor”: Gabriel pode voltar no primeiro jogo do Palmeiras na arena

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A previsão inicial dos médicos do Palmeiras era de que poderia demorar até oito meses para Gabriel voltar a atuar. A recuperação da cirurgia no joelho esquerdo para tratar lesão no ligamento cruzado anterior será mais rápida, porém. É possível que o volante fique à disposição na primeira partida em casa no ano, marcada para 3 de fevereiro, contra o São Bento, pela segunda rodada do Campeonato Paulista.

mosaico-gabriel-palmeirasSeriam cinco meses e 29 dias depois da operação. Não que seja pouco tempo, é claro. Nesse período, chateado por não poder fazer o que mais gosta, Gabriel tentou de tudo para se distrair. Mas nada de videogame. Preferiu estudar inglês e futebol, como contou em entrevista concedida na última quinta-feira, em Itu, onde a equipe está em pré-temporada, às vésperas de começar a treinar com bola.

A programação da comissão técnica é intensificar a transição para o campo na próxima semana, quando o time viajará a Montevidéu para a disputa de um quadrangular com Libertad (Paraguai) e os uruguaios Nacional e Peñarol. Gabriel deve ficar trabalhando na Academia de Futebol, em São Paulo. Gabriel corre também porque agora terá concorrência maior, com as chegadas de Jean e Rodrigo.

FATOR PSICOLÓGICO
– A cabeça realmente é um fator complicado. Você fica muito tempo fora. Para quem está acostumado a jogar, a concentrar, é um prazo que parece que não passa nunca. Tem de ocupar a cabeça com outras coisas. Procurei fazer trabalhos por fora, como aulas de inglês e estudar futebol para, quando voltar, ter uma leitura diferente. Procurei não ficar só em casa jogando videogame. Deixei a parte ruim de lado para procurar as partes boas, crescer em outras coisas. Minha família me deu muito apoio.

INGLÊS?
– Eu não estudava inglês, só na escola mesmo. Mas agora estou procurando aprender alguma coisinha, estou desenrolando. É só uma distração, estou gostando. Mas não vejo a hora de jogar bola e vestir a camisa do Palmeiras.

JOGOS PELA TV E NO ESTÁDIO
– Eu procurei ver os jogos de outros países, os do Palmeiras em casa também, estava em todos no estádio. Você vê coisas que, dentro do campo, não vê. Os espaços, lugares que estão livres… Você acaba tendo outra visão. Vou tentar executar quando eu voltar. Ganhei muito nisso, acho.

RECUPERAÇÃO
– A parte mais difícil é o começo, depois da cirurgia. Você fica dentro de casa, não pode sair muito para ir ao treino. Essa mudança de hábito foi bem complicada. Isso me pegou muito. Depois, quando comecei a voltar com o grupo, a rever os companheiros, foi passando. Me deram um trabalho totalmente especial, o pessoal de fisioterapia, todo o departamento médico. Muitas vezes eu achava que não ia conseguir e eles diziam: “Vai, você consegue”. Isso me passou muita confiança. Eu só estou assim hoje pelo tratamento que tive.

COPA DO BRASIL
– Foi muito emocionante. Quando você está fora, sofre mais do que dentro de campo. Lá dentro você está com nível de concentração muito alto. Passei por isso não só na final, mas na semi, quartas, oitavas…. A equipe cresceu muito, principalmente nos jogos em casa. Consolidamos esse fator, que terá de ser usado esse ano. Esse título da Copa do Brasil nos deu a oportunidade de disputar uma Libertadores. Tenho certeza que a torcida vai nos apoiar muito.

MAIOR SOFRIMENTO
– A final (contra o Santos). Ali, você tinha que fazer dois gols para ser campeão. Conseguimos. Eu estava no camarote, já estava me preparando para descer, para comemorar junto. No que estávamos descendo, o Santos fez o gol e levou para os pênaltis. Foi um momento de muito sofrimento, a tristeza de ter tomado o gol, mas de confiança que íamos vencer de qualquer maneira. Quero viver momentos assim dentro de campo, nunca mais fora.

23728522194_2ab8e17124_oDECISÃO POR PÊNALTIS
– Eu vi ali na beira do campo, abraçado com o grupo todo, que não estava relacionado, com o pessoal do banco. Senti ali a emoção, a explosão de perto. Foi muito legal. É uma coisa que vai ficar marcada.

CONSEGUIU CORRER?
– Estava fazendo trabalhos de corrida, consegui abrir a passada, mas não pude me exaltar muito, estava de tênis, o campo molhado. Mas o pessoal me ajudou. Fomos no embalo, fazer a festa junto. Foi um título sofrido, que o Palmeiras mereceu. Agora é almejar coisas maiores, que o grupo está totalmente qualificado para isso.

CHEGADAS DE JEAN E RODRIGO
– Cada um vai ter de trabalhar um pouquinho mais, e o Palmeiras vai crescer com isso. Ficamos felizes com jogadores de qualidade jogando do nosso lado, incomodando para entrar no nosso lugar. Quem quer jogar em time grande tem de saber lidar com concorrência. Na hora de comemorar o título, vai estar todo mundo junto, vai para o currículo de todo mundo. Isso aumenta o nível de concentração de cada atleta.

LIBERTADORES
– Sei que é uma competição completamente diferente. Vamos encarar coisas que não encaramos no Brasileiro. A grandeza do Palmeiras é maior, aqui é tudo diferente. O grupo está ciente disso. Vamos fortes para brigar por título. Primeiro é pensar na classificação, passo a passo. O Palmeiras se identifica muito com a Libertadores. Jogo em casa, de mata-mata… Vai ser muito bom para nós.

VAI VOLTAR NO MESMO NÍVEL DE ANTES?
– Aquele nível é o que eu sempre batalhei para chegar. O pessoal falava que eu estava bem, mas sempre procurei ter os pés no chão e continuar melhorando. Acredito que vou voltar a ter as atuações do nível do Palmeiras. Eu estarei a todo vapor, ansioso demais para voltar. Ao mesmo tempo muito feliz.

APOIO DO ELENCO
– Todos os jogadores tiveram uma atenção e um carinho muito grande comigo. Fiquei muito feliz, me senti acolhido. Quando acontece uma coisa assim você dá valor. O Mouche passou por essa lesão, conversou bastante comigo, me ajudou. Toda a equipe.

2016
– Tem de dar continuidade. O momento era muito bom, foi interrompido por essa lesão. Agora é voltar a jogar. Sempre procurando melhorar. 2016 é Libertadores, Paulista, Brasileiro, Copa do Brasil e o que vier pela frente. Se Deus quiser, o Mundial no fim do ano. Pela estrutura que tem, o Palmeiras merece.